Arroz

>Homenagem ao arroz tão desprezado cá em casa.

>Arroz cá em casa é sempre o ultimo recurso, porque se pensar em fazer arroz com alguma coisa ou alguma coisa de arroz, enquanto chego á cozinha e preparo as coisas mudo fácil de opinião porque acho sempre que a coisa combina melhor com massa ou batata e ainda por cima agora tenho um ajudante á festa que diz que gosta de tudo, mas quando chega o arroz pergunta logo porquê arroz.

Se por acaso pergunto ao marido se faço arroz com qualquer coisa ele diz que sim, quando chega á mesa e encontra massa pergunta para que lhe perguntei, caso também frequente cá em casa.

Arroz branco então é mesmo persona non grata á minha mesa, a não ser que seja para acompanhar alguma coisa com bastante molho para ensopar o dito.

Por isso opto por fazer muitas vezes arroz de qualquer coisa que tenha sabor, cor e principalmente um molhinho saboroso.

Pode ser de legumes variados, de feijão, de pimentos, de ervilhas, mas muito raramente branco, ao contrário de muitas casas onde vou e me dizem que tem sempre no frigorifico uma caixinha de arroz branco porque dá sempre muito jeito!!! cá em casa não me dá jeito para nada.
Trago então alguns dos arrozes que cá em casa gostamos.

Este de legumes faço com o que tenho á mão na altura, neste caso foi com cenoura e couve coração que por acaso tenho sempre cá em casa, porque gostamos muito.

1 cebola
3 dentes de alho
1/2 copo de polpa de tomate
2 cenouras médias
1/4 de uma couve coração média.

Picar a cebola e o alho e pôr a  refogar em azeite, quando estiver meio transparente, juntar a polpa de tomate e deixar mais uns minutos.

Depois junto meio copo de água e junto a couve cortada pequenina e deixo cozinhar só um bocadito.
Junto a restante água que neste caso costuma ser três copos de água para um de arroz, no total.

Junto o arroz e deixo cozer.

Pode ser da mesma couve mas sem o tomate.

Também pode ser de ervilhas de cavaca/tortas.

Ou de pimentos

Ou de feijão, neste caso junto ao refogado umas coisinhas mais apetitosas, daquelas que fazem muito bem á saúde, tipo chouriço, bacon….

A base é mais ou menos sempre igual, o que varia é o legume

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Peixe

>Cavalas á ratatouille

>Já tenho ouvido falar muito de cavalas e há quem diga muito bem e que goste muito, eu já tinha experimentado, mas não fiquei fã, um dia destes ao folhear num quiosque uma revista de culinária vi uma receita que me despertou a atenção, mas como não compro revistas há muito tempo, anotei na cabeça os ingredientes principais e fiz á minha maneira, o resultado foi muito bom.

3 cavalas médias
1 cebola grande
3 dentes de alho
3 tomates  médios bem madurinhos
1 pimento vermelho
1 pimento verde
2 ou 3 folhas de louro
1 ramo de coentros, usei congelados.
Azeite, sal e pimenta q.b.

Cortar a cebola de modo grosseiro e picar os alhos, levar ao lume com o azeite, juntar o louro e os coentros picadinhos.

Arrajar entretanto os pimentos e cortar em tirinhas e juntar ao refogado e deixar cozinhar uns minutos.

Juntar o tomate cortado em cubinhos e deixar cozinhar até ficar tudo macio e temperar a gosto, com sal e pimenta.

Deitar metade desta mistura num pirex ou outro tabuleiro de ir ao forno, colocar as cavalas por cima e cobrir com o restante e regar com o molho que entretanto se formou.

As cavalas não temperei com antecedencia e não senti falta de tempero nenhum.

Levar ao forno pré-aquecido a 230º mais ou menos 30 minutos, depende do tamanho das cavalas.

Eu servi acompanhado de batata cozida, ficou um prato muito agradável.

Uma receitinha com três ingredientes começados com um C

A cavala, a cebola e os coentros, uma participação modesta para o novo desafio do deliciasetalentos .

Sopas

>Sopa de feijão baganhudo

>Nem sei bem se o nome de feijão baganhudo existe, mas lá em minha casa sempre se chamou assim e é assim que eu o conheço.

Vamos vêr se explico o que é este feijão. É quando a vagem já está dura e o grão lá dentro já está grande, mas ainda fresco, ou seja feijão mas que não foi seco.

A minha sogra normalmente apanha sempre muito assim e guarda para nós, eu congelo e tenho feijão para sopa sempre á mão, porque não é preciso pôr de molho nem cozer antes e seja triturado ou inteiro dá um sabor muito bom á sopa.

Esta fiz com feijão verde também.
O puré da praxe com batatinha, cebola, cenoura, abobora e uma chávena de feijão do tal, tudo a cozer e trituradinho.
No fim junto o feijão verde cortado fininho, alguns feijões inteiros.
O azeite e deixo cozinhar e já está
Entradas e petiscos, Ovos

>Omelete do marido

>De vez em quando não apetece fazer jantar e muito menos pensar no que fazer o marido lá se disponibiliza e inventa uns petiscos, ou faz algo mais simples, mas que tem sempre o seu toque pessoal, que não sei se é por não me darem trabalho, nem a fazer nem a pensar sabem-me pelos deuses.

Esta omelete foi um desses petiscos, a coisa mais simples mas que com uns ingredientes especiais, faz toda a diferença.

Ovos quanto baste
Chouriça e salpicão caseiro, que a minha sogra ainda faz.
Uma fatia de queijo só para enganar o sabor.
Umas rodelinhas de cebola, cortadas á maneira do cozinheiro.
Umas folhinhas de salsa picada.
Azeite.

Primeiro cortar os enchidos e a cebola e levar tudo a alourar um bocadinho no azeite.

Juntar os ovos batidos, o queijo e a salsa, envolver bem tudo e deixar cozinhar.

Enrolar ou dobrar a minha unica intervenção no processo e já está um petisco,

que dizem as más linguas é um sacrilégio acompanhar com chá, mas a mim é assim que me sabe bem.

Bolos, Olhares

>Sol, erva e um bolinho

>

A primavera já está no ar
Depois de tantos meses a chover um fim de semana com sol foi mesmo uma delicia para os caracois sairem para o solzinho.
E nós lá fomos até á quinta vêr os estragos de tanto tempo de ausência.
Os estragos até nem foram muitos, para além de montes de erva a crescer desmesuradamente.
Ainda bem que agora temos ajudante para a apanhar e juntar a erva.
Sim porque eu se já ajudava mais a máquina fotografica, do que a erva, agora tenho mais um motivo a perseguir, já deixo os caracois mais em paz. 
 
Dando comidinha aos caracois tadinhos que nem têm nada para comer
O descanso do guerreiro
E para o lanche o bolinho de abobora e coco, que fiz  aqui e que ficou tão aprovado que repeti  em menos de uma semana, só que agora em vez do óleo meti leite e posso dizer que ficou muito melhor, uma verdadeira delicia.
Para além disso meti parte da abobora ralada e outra parte em pedacinhos pequeninos que não se desfizeram e ficaram muito bem.
 Nada melhor para saborear um fim de tarde solarengo e frio, um bolinho e um cházinho quentinho, nem que seja no termo.
Abobora, Bolos, Coco

>Bolo de abobora e coco

>Este bolo foi uma adaptação de uma receita de bolo de cenoura que faço muito cá em casa e uma junção com coco, porque gostei muito do resultado na compota, para dar uso a uma abobora gigante que teima em não acabar.

4 ovos
2 chávenas de farinha
2 chávenas de açúcar
2 chávenas de abobora ralada
1 chávena de coco ralado
1 chávena de óleo
Bater muito bem os ovos com o açúcar até dobrar de volume e juntar o oleo.
Envolver a farinha peneirada, a abobora e o coco.
Levar ao forno a cozer em forma untada e polvilhada de farinha.
Em forno a 200º demora mais ou menos 40 min.
A decoração foi só para enganar o papa chocolate cá de casa.
Olhares, Pintura

>Arte e a doença

>

“A arte lava a alma da sujidade da vida quotidiana” Pablo Picasso

É sobejamente conhecida a relação entre muitos artistas e a doença, e muito já se dissertou acerca da criatividade e da doença.
Para alem das doenças inerentes á sua vida boémia, a tuberculose, sifilis, muitos artistas tiveram o auge da sua criatividade em fases de doença avançada.
Temos os exemplos de Monet e a suas cataratas no fim da vida, em que o artista pintava de memória.
Edgar Degas, conhecido por suas pinturas de nus e bailarinas, sofreu de degeneração macular, um mal na retina, por quase metade de sua vida.
Renoir sofreu de uma dolorosa artrite reumatóide por mais de 30 anos, continuando a pintar com a ajuda de assistentes que inseriam os pincéis entre seus dedos retorcidos.
Mary Cassatt, como Monet, tinha cataratas e Camille Pissarro tinha problemas no canal lacrimal.
 
Talvez o mais conhecido de todos os disturbios psicológicos de Vincent Van Gogh.
 
Um exemplo de luta e resistencia o da mexicana Frida Khalo que teve poliomielite aos 6 anos. Com o pé direito ligeiramente deformado, ela seguiu uma vida normal e ingressou na Escola Nacional Preparatória em 1922. Atraída para as artes pelo maior pintor mexicano, Diego Rivera, conseguiu emprego como aprendiz, em 1925. No mesmo ano, sofreu uma grave lesão na coluna em um acidente de trânsito.
No mês em que ficou no hospital, apesar de amparada em talas de gesso e com os movimentos limitados, fez as primeiras tentativas na pintura. Quando foi para casa, sua mãe providenciou para que a cama fosse adaptada para permitir a ela pintasse.
Em 1930, já casada com Rivera, sofreu um aborto. E outro, em 1932. Em 1934 teve nova gravidez interrompida e os dedos do pé doente amputados.
Apesar das limitações físicas, Frida Khalo continuou participando de exposições e lecionando.
 Em 1944, pintou A Coluna Partida. Três anos depois teve a coluna vertebral operada e permaneceu meses imobilizada. Em 1950 passou por mais sete cirurgias: mais nove meses no hospital. Em 1953, quando foi organizada sua primeira exposição individual, ela compareceu instalada numa cama, ao lado de suas telas. No mesmo ano teve a perna direita amputada até o joelho.
Ainda em 1953, Frida Khalo tentou o suicídio. No ano seguinte, desafiou os conselhos médicos e, apesar de uma infecção pulmonar, participou das manifestações contrárias à intervenção americana na Guatemala. Morreu logo depois, em julho, aos 47 anos.
Nesta linha de pensamento o local onde eu trabalho resolveu promover uma ideia que eu achei muito interessante, trazer os doentes ao hospital mas para mostrar as suas artes e surgiu uma exposição em que os funcionários também foram convidados a participar.
A ideia era que cada artista fizesse qualquer coisa na sua arte relacionado com a doença e se a minha ideia inicial era de que iriam aparecer obras mais virada para cores escuras e  morbidas o resultado foi bastante diversificado e apareceram também cores vivas e alegres de esperança e vida.
A reacção foi bastante posistiva e o numero de participantes excedeu o esperado.
As peças apresentadas foram desde a escultura, pintura, cerâmica, passando pelas artes manuais.
Eu como não podia deixar de ser participei com um quadro dos meus, que não foi feito de propósito para a exposição, mas que me pareceu adequado ao tema proposto.
Para mim o mais representativo quadro desta exposição, foi este de uma doente que me parece retratar na perfeição a experiencia dela e das companheiras de doença na instituição .